Relatório do Índice do Custo da Cesta Básica em Santana do Livramento: Abril de 2026 O propósito do Projeto de Cálculo do Índice do Custo da Cesta Básica em Santana do Livramento é mensurar a variação mensal nos preços dos alimentos que compõem a cesta básica. Além de fornecer um indicador que reflete as oscilações nos preços dos itens essenciais, este índice se revela de relevância porque avalia potenciais perdas de poder de compra do salário-mínimo e potencializa o cálculo para o reajuste anual do salário-base dos trabalhadores. Este índice é calculado mediante a aplicação de uma metodologia fundamentada naquela utilizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A pesquisa de campo é conduzida em Santana do Livramento durante a última semana de cada mês, abrangendo oito supermercados nos quais se coletam os preços dos produtos que compõem a cesta básica. Tabela 1 ? Variação dos Gastos dos Itens da Cesta Básica entre março e abril de 2026 Produtos Unidade de medida Gastos R$ em março 2026 Gastos R$ em abril 2026 Variação (%) Arroz 3 kg 12,80 15,13 +18,18% Feijão 4,5 kg 23,76 25,55 +7,52% Banana 90 un 66,00 71,46 +8,28% Açúcar 3 kg 14,33 14,74 +2,86% Batata 6 kg 25,37 34,31 +35,21% Café 600 g 39,07 38,68 -0,99% Pão 6 kg 72,18 71,31 -1,21% Tomate 9 kg 52,75 78,31 +48,45% Carne 6,6 kg 287,75 306,70 +6,59% Manteiga 750 g 49,98 49,41 -1,14% Óleo 900 ml 7,95 8,53 +7,38% Farinha 1,5 kg 5,88 6,12 +3,97% Leite 7,5 l 37,72 41,80 +10,81% Total - 695,54 762,05 +9,56% Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. Na Tabela 1 acima podemos constatar os gastos mensais com cada um dos alimentos que compõem a cesta básica em Santana do Livramento, nos meses de março e abril de 2026, além da variação percentual observada. O custo da cesta básica entre final de março e abril, em Santana do Livramento, teve um aumento de 9,56%. Em Porto Alegre houve um aumento de (1,50%) segundo o DIEESE (2026, p. 25). Os produtos no mês de março que apresentaram alta nos preços foram a batata (35,21%), tomate (48,45%), leite (10,81%), banana (8,28%), feijão preto (7,52%), farinha de trigo (3,97%), arroz (18,18%), óleo (7,38%), açúcar(2,86%) e carne (6,59%). Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda, como o pão (-1,21%), manteiga (-1,14%) e café (-0,99%). No Gráfico 1 observa-se a evolução dos preços dos itens que compõem a cesta básica no período compreendido entre março e abril de 2026. A variação percentual é calculada com base nos preços médios registrados nos dois meses e expressa a flutuação dos custos desses itens no referido período, o que pode ter implicações relevantes para o orçamento dos consumidores. Gráfico 1 - Variação percentual dos itens da cesta básica entre março e abril de 2026. Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. Observa-se que o tomate foi o item com maior aumento no período. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em abril de 2026, o custo da cesta básica no Brasil aumentou em 27 capitais, das 27 capitais pesquisadas. Alguns produtos da cesta básica apresentaram aumento de preços entre março e abril de 2026, embora o comportamento tenha variado entre Porto Alegre e Santana do Livramento. Na capital, oito itens registraram alta: batata (17,07%), tomate (3,28%), leite (12,40%), carne (0,51%), feijão preto (5,51%), óleo de soja (1,42%), arroz (2,17%) e pão (0,65). Em Santana do Livramento, a quantidade de produtos com elevação foi maior, com dez produtos registrando alta. Por outro lado, cinco dos alimentos apresentaram redução de preços. Em Porto Alegre, o açúcar foi o item com a maior redução (-3,39%), comportamento distinto observado em Santana do Livramento, onde esse mesmo produto registrou alta. Outros itens que apresentaram redução simultânea nos dois municípios, como a manteiga (-1,27 e -1,14%), café (-0,75 e -0,99%). Já um item, por sua vez, exibiu comportamento distinto, com aumento em Porto Alegre e queda em Santana do Livramento, como pão (0,65 e -1,21%, respectivamente) e o oposto ocorreu com a farinha de trigo(-0,25 e 3,97). O Gráfico 2 apresenta a evolução do custo da cesta básica em Santana do Livramento ao longo de 12 meses, entre abril de 2025 e abril de 2026. Observa-se que o valor da cesta variou significativamente durante esse período, apresentando altos e baixos. Gráfico 2 - Comparativo do custo da cesta básica em Santana do Livramento, entre os períodos de abril de 2025 e abril de 2026. Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. O custo total da cesta básica de Santana do Livramento demonstra um aumento no acumulado de doze meses. Conforme representado no Gráfico 2, o valor passou de R$719,13 em abril de 2025 para R$762,05 em abril de 2026, correspondendo a uma variação acumulada de 5,97% no período. Esse resultado reflete a inflação específica dos alimentos essenciais no período, indicando que, para adquirir a mesma quantidade de itens, o trabalhador precisou destinar uma parcela maior de sua renda, em termos absolutos. Embora o salário-mínimo também tenha sido reajustado no período, o aumento no valor da cesta básica limita o ganho do poder de compra, resultando em um incremento real discreto para o trabalhador. A Tabela 2 compila informações relativas ao balanço nos últimos 12 meses no custo de cada item da cesta básica mensal, apresentando a variação entre abril de 2025 e abril de 2026. Tabela 2 - Comparativo do Custo da cesta Básica por alimento em doze meses Produtos Unidade de medida Gasto R$ em abril 2025 Gastos R$ em abril 2026 Variação (%) Arroz 3 kg 16,76 15,13 -9,73% Feijão 4,5 kg 30,17 25,55 -15,31% Banana 90 un 60,36 71,46 +18,39% Açúcar 3 kg 18,21 14,74 -19,06% Batata 6 kg 30,92 34,31 +10,96% Café 600 g 40,93 38,68 -5,50% Pão 6 kg 72,33 71,31 -1,41% Tomate 9 kg 65,84 78,31 +18,94% Carne 6,6 kg 273,41 306,70 +12,18% Manteiga 750 g 54,28 49,41 -8,97% Óleo 900 ml 8,33 8,53 +2,40% Farinha 1,5 kg 6,43 6,12 -4,82% Leite 7,5 l 41,18 41,80 +1,51% Total - 719,13 762,05 +5,97% Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. Nos últimos 12 meses, os preços dos itens que compõem a cesta básica de Santana do Livramento apresentaram comportamento misto, com produtos registrando tanto elevação quanto redução de preços. dentre os itens que apresentaram elevação, com destaque para o tomate (18,94%), que registrou a maior alta no período, seguida pela banana (18,39%), carne (12,18%), batata (10,96%), óleo de soja(2,40%) e leite (1,51%). Em Porto Alegre, as reduções foram mais expressivas, com quedas de preços em parte dos produtos. Destacam-se as reduções do tomate (-26,15%), arroz (-25,66%), feijão (-13,78%), batata (-10,37%), açúcar (-9,89%), manteiga (-4,78%), café (-4,42%), farinha de trigo (-2,40%), óleo de soja (-2,00%) e leite(-0,37%); indicando pressões mais distribuídas entre os itens. Por outro lado, em Santana do Livramento, verificou-se comportamento heterogêneo na dinâmica dos preços dos itens que compõem a cesta básica, ao longo do período analisado; observam-se as reduções em produtos básicos essenciais, como açúcar (-19,06%), feijão (-15,31%), arroz (-9,73%), além de quedas na manteiga (-8,97%), café (-5,50%), farinha de trigo (-4,82) e pão (-1,41%). Embora alguns produtos tenham apresentado redução de preços ao longo do período, tais quedas não foram suficientes para compensar as elevações observadas em itens de maior peso relativo na composição da cesta básica, implicando numa elevação do custo total da cesta básica. Já em Porto Alegre, apenas três produtos registraram elevação de preços no período, com destaque para banana (6,11%), pão (4,84%) e carne bovina de primeira (3,49%), dessa forma, o comportamento dos preços na capital evidencia tendência mais consistente de redução do custo dos alimentos básicos, ainda que com diferenças de intensidade em relação ao cenário observado em santana do livramento. O Gráfico 3 apresenta a participação percentual de cada item no custo da cesta básica em Santana do Livramento, no mês de abril de 2026, evidenciando os alimentos que mais pressionam o custo total. O gráfico permite visualizar o peso relativo de cada produto, ou seja, quanto cada item representa no custo total da cesta. Gráfico 3 - Composição percentual do custo total da cesta básica de Santana do Livramento no mês de abril de 2026. Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. Conforme ilustrado no Gráfico 3, verifica-se que o componente mais oneroso para o orçamento é a carne, representando 40% do custo total, seguido pelo tomate (10%), pão (9%), banana (9%), manteiga (6%), café (5%), leite (5%), batata (5%), feijão (3%), açúcar (2%), arroz (2%) óleo (1%) e farinha (1%). O Gráfico 4 apresenta a porcentagem do salário-mínimo comprometida com a aquisição da cesta básica em Santana do Livramento, no período de outubro de 2024 a abril de 2026. A análise demonstra a variação mensal do peso da cesta básica sobre o rendimento mínimo legal, evidenciando os momentos em que o custo dos alimentos essenciais representou maior ou menor impacto no orçamento do trabalhador. Observa-se que houve um aumento, de 42,91% para 47,01% no custo da cesta básica em comparação ao período anterior. Neste contexto, verifica-se que a proporção do salário-mínimo requerida para aquisição da cesta básica é agora de 47,01%. Gráfico 4 - Porcentagem do salário-mínimo utilizada para a compra da cesta básica em Santana do Livramento no mês de abril de 2026. Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. A Tabela 3 compila informações relativas ao Salário-Mínimo, o total de horas de trabalho mensal, o custo total da Cesta Básica e o percentual correspondente necessário para adquiri-la. Essa análise revela a elevação do tempo de trabalho requerido para a aquisição da cesta básica, embora ainda seja notável que o consumidor destine aproximadamente metade de sua renda mensal para a compra dos treze produtos que compõem a Cesta Básica. Considerando que o valor do salário-mínimo pago pelas duzentas e vinte horas de trabalho mensal é de R$1.621,00, pode-se concluir que, em março, o trabalhador de Santana do Livramento precisou dedicar 94 horas e 24 minutos para adquirir a cesta básica, enquanto em Porto Alegre o tempo de dedicação foi ainda maior, alcançando 108 horas e 33 minutos. A pesquisa divulgada pelo DIEESE para o mês de abril de 2026 aponta que, para a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário-mínimo necessário seria de R$7.612,49 ou 4,70 vezes o salário-mínimo atual de R$1.621,00. Tabela 3 - Evolução do Valor da Cesta Básica e Correspondente Carga Horária de Trabalho em Relação ao Salário-Mínimo. Produtos Unidade de medida Gasto R$ em março 2026 Tempo necessário Gasto R$ em abril 2026 Tempo necessário Arroz 3 kg 12,80 2hr44min 15,13 2hr3min Feijão 4,5 kg 23,76 3hr13min 25,55 3hr28min Banana 90 un 66,00 9hr57min 71,46 10hr42min Açúcar 3 kg 14,33 2hr57min 14,74 2hr Batata 6 kg 25,37 3hr27min 34,31 5hr39min Café 600 g 39,07 5hr18min 38,68 5hr15min Pão 6 kg 72,18 10hr48min 71,31 10hr41min Tomate 9 kg 52,75 7hr10min 78,31 11hr38min Carne 6,6 kg 287,75 39hr3min 306,70 42hr38min Manteiga 750 g 49,98 7hr47min 49,41 7hr42min Óleo 900 ml 7,95 1hr5min 8,53 1hr9min Farinha 1,5 kg 5,88 1hr48min 6,12 1hr50min Leite 7,5 l 37,72 5hr7min 41,80 6hr40min Custo da cesta e tempo 695,54 94h24min 762,05 103h25min Fonte: Dados coletados nos pontos de vendas em Santana do Livramento. Conforme os dados apresentados na Tabela 3, observa-se que, em abril de 2026, a carne continuou sendo o item que mais demanda esforço laboral para ser adquirido em Santana do Livramento, exigindo 42 horas e 38 minutos de trabalho, apresentando aumento em relação a março, quando o tempo necessário era de 39 horas e 3 minutos. O tomate permaneceu como o segundo produto com maior tempo de aquisição, mantendo-se em 11 horas e 38 minutos. A banana, por sua vez, apresentou aumento no tempo necessário, passando de 9 horas e 57 minutos em março para 10 horas e 42 minutos em abril. De modo geral, parte dos itens apresentou aumento na carga horária, refletindo o encarecimento relativo de alguns produtos, o que elevou o tempo total necessário para aquisição da cesta básica de 94 horas e 24 minutos em março para 103 horas e 25 minutos em abril. O cálculo do Índice do Custo da Cesta Básica requer uma atualização mensal, com o intuito de construir uma série temporal que possa refletir a evolução dos preços e, consequentemente, a inflação no que concerne à alimentação na cidade. A equipe executora do projeto faz parte do curso de Ciências Econômicas da UNIPAMPA, campus Santana do Livramento. São eles: Docentes Andre da Silva Redivo (andreredivo@unipampa.edu.br) Carlos Hernan Rodas Cespedes (carloscespedes@unipampa.edu.br) Lucélia Ivonete Juliani (luceliajuliani@unipampa.edu.br) Felipe Gomes Madruga (felipemadruga@unipampa.edu.br) Samanda Silva da Rosa (samandarosa@unipampa.edu.br) Discentes Anna Karoline Lopes Bastos (annabastos.aluno@unipampa.edu.br) Arthur Gonçalves Machado Bachio (arthurbachio.aluno@unipampa.edu.br) Bruno Ocaña Cardoso (brunocardoso.aluno@unipampa.edu.br) Carlos Augusto Silva Dias (carlosdias.aluno@unipampa.edu.br) Caroline Serwatka Alonso Poli (carolinepoli.aluno@unipampa.edu.br) Enrique Darde Ribeiro Freitas (enriquefreitas.aluno@unipampa.edu.br ) Francisco Rodrigues Xavier (franciscoxavier.aluno@unipampa.edu.br) Gabriela Silva Dambros (gabrieladambros.aluno@unipampa.edu.br) José Luis Fagundes Teixeira ( joseteixeira.aluno@unipampa.edu.br ) Luana Gabriele Brum Da Rosa (luanabosa.aluno@unipampa.edu.br ) Murilo Augusto de Sousa Canais (murilocanais.aluno@unipampa.edu.br ) Paulo Antonio Gonçalves Fogaça (paulofogaca.aluno@unipampa.edu.br ) Roberta Daniele de Almeida Brum (robertabrum.aluno@unipampa.edu.br) Washington dos Santos Peres (washingtonperes.aluno@unipampa.edu.br)