UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL UNIDADE SANTANA DO LIV RAMENTO CURSO DE DESENVOLVIMENTO RURAL E GESTÃO AGROINDUSTRIAL JOÃO ALBERTO SUAREZ GOMEZ O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO DOS OVINOCULTORES EM SANTANA DO LIVRAMENTO -RS SANTANA DO LIVRAMENTO 2019 JOÃO ALBERTO SUAREZ GOMEZ O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO DOS OVINOCULTORES EM SANTANA DO LIVRAMENTO -RS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Orientador: Prof. Dr. Márcio Zamboni Neske SANTANA DO LIVRAMENTO 2019 Catalogação de Publicação na Fonte Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Bibliotecas da Uergs. G633o Gomez, João Alberto Suarez. O processo da tomada de decisão dos ovinocultores em Santana do Livramento-RS / João Alberto Suarez Gomez. ? Santana do Livramento, 2019. 66 f. Orientador: Prof. Dr. Márcio Zamboni Neske. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) ? Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, Curso de Bacharelado em Desenvolvimento Rural e Gestão Agroindustrial, Unidade em Santana do Livramento, 2020. 1. Tomada de decisão. 2. Ovinocultor. 3. Santana do Livramento. I. Neske, Márcio Zamboni. II. Título. Dedico este trabalho a minha esposa Leticia, pelo apoio, compreensão e confiança e a minha filha Luiza Helena, pela parceria em entender as minhas ausências. AGRADECIMENTOS A conclusão deste trabalho significa o encerramento de um ciclo, que venho percorrendo durante quatro anos, e o agradecimento é parte relevante nesta etapa. Agradeço a Deus pela vida e pela força que me deu durante esse período, para poder conciliar os estudos, o trabalho e a família. Gostaria de agradecer a UERGS, por ter me proporcionado a oportunidade da graduação, algo que estava muito longe dos meus planos. Agradeço ao meu pai Alberto P. Gomes pela compreensão e a minha mãe Marina Suarez Gomez, que dentro da sua realidade percebia e entendia as minhas angústias. Sem sua participação e os seus ensinamentos não seria a pessoa que me tornei hoje. Agradeço aos meus colegas de aula, porque, uma maneira ou de outra estávamos juntos para sanar e discutir nossas dúvidas compartilhando um cenário muito pouco conhecido por todos. Levo todos em meu coração, com a minha mais profunda amizade. Meus mais sinceros agradecimentos aos produtores rurais de Santana do Livramento, que participaram deste trabalho e me deram a oportunidade de entender as peculiaridades de cada um, dentro de seus critérios de avaliação, entendimento, conhecimento sobre a ovinocultura em suas propriedades, ensinamentos que levarei para toda a vida. Finalizo agradecendo ao corpo docente da Universidade estadual do Rio Grande do Sul, por dividir comigo a sua sabedoria. Aproveitei cada minuto em sala de aula e em trabalhos externos, em especial ao meu orientador Prof. Dr. Márcio Zamboni Neske, que soube me estimular e cobrar para poder entregar um trabalho ao nível que a Universidade espera. ?Sonhos determinam o que você quer. Ação determina o que você conquista.? (Aldo Novak.) RESUMO Este trabalho tem por finalidade entender o processo da tomada de decisão dos produtores de ovinos investigados no município de Santana do Livramento. O que os leva a manter-se na produção embora havendo tantas variações. Mediante uma pesquisa qualitativa, buscou-se descrever a realidade dos ovinocultores participantes desta pesquisa, foi avaliado por meio de uma entrevista semiestruturada a maneira como os criadores tomam suas decisões e quais os fatores de maior relevância. Durante as entrevistas foram percebidos aspectos que interferem na atividade, como por exemplo o aspecto cultural, que exerce certa influência sobre a produção, aonde a tradição tem uma grande relevância na tomada de decisão. Mesmo com tantas dificuldades impostas no setor, sendo no ambiente externo ou interno, o produtor mantem-se firme na criação, embora reduzindo o rebanho, devido aos aspectos socioeconômicos que influenciam fortemente em qualquer atividade comercial e não é diferente na ovinocultura. No ciclo da lã, a criação de ovelhas, foi de grande importância no município de Santana do Livramento, tanto para a produção de lã como para o consumo da carne e ainda hoje tem um papel importante no cenário municipal. Este trabalho visa analisar o processo nas tomadas de decisões entre os 04 produtores investigados, percebendo suas familiaridades, diversidades, devidos aos diferentes sistemas de produção Palavras-chave: Tomada de decisão. Ovinocultor. Santana do Livramento. ABSTRACT This work aims to understand the decision-making process of sheep producers investigated in the municipality of Santana do Livramento. Which leads them to stay in production although there are so many variations. Through a qualitative research, we sought to describe the reality of the ovigcultors investigated, it was evaluated through a semi-structured interview the way creators make their decisions and what factors are of greatest relevance. During the interviews, aspects were perceived that interfere in the activity, such as the cultural aspect, which exerts some influence on production, where tradition has a great relevance in decision making. Even with so many difficulties imposed in the sector, being in the external or internal environment, the producer remains firm in creation, although reducing the herd, due to the socioeconomic aspects that strongly influence any commercial activity and is not different in sheep farming. In the wool cycle, , , the creation of sheep, was of great importance in the municipality of Santana do Livramento, both for the production of wool and for the consumption of meat and still today has an important role in the municipal scenario. This work aims to analyze the process in decision-making among the 04 producers investigated, perceiving their familiarities, diversities, due to the different production systems. Keywords: Decision making. Sheep producer. Santana of Deliverance. LISTA DE FIGURAS Figura 1 ? O processo Decisório...............................................................................................23 Figura 2 ? Sistema do complexo processo decisional...............................................................24 Figura 3 ? Modelo do comportamento adaptativo do sistema familiar....................................25 Figura 4 ? tempo na atividade produtiva da ovinocultura.........................................................33 Figura 5 ? Situação fundiária dos estabelecimentos investigados............................................34 Figura 6 ? sistema produtivo predominante..............................................................................35 Figura 7 ? Raças de ovinos presentes nos sistemas produtivos................................................36 Figura 8 ? Como são tomadas as decisões................................................................................38 Figura 9 ? Avaliação de risco nas decisões...............................................................................39 Figura 10 ? Controle contábil e gestão informatizada..............................................................39 Figura 11 ? Quem toma as decisões na propriedade.................................................................41 Figura 12 ? Fatores que influenciam as mudanças na produção de ovinos..............................41 Figura 13 ? Satisfação em relação a produção de ovinos.........................................................42 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 ? Cabeças de Ovinos 1991/2016.............................................................................31 LISTA DE QUADROS Quadro 1 ? Estilos comportamentais do decisor..................................................................... 27 Quadro 2 ? Descrição do questionário em relação aos objetivos............................................ 29 Quadro 3 ? Perfil social dos investigados............................................................................... 32 Quadro 4 - Meios de Informação e Influência nas decisões...................................................40 LISTA DE TABELAS Tabela 1 ? Medida da área dos estabelecimentos investigados.............................................. 35 Tabela 2 ? Numero de cabeças por raças................................................................................ 37 Tabela 3 ? Fator de importância Critérios na comercialização .............................................. 43 Tabela 4 ? Fator de importância Problemas na comercialização............................................ 43 Tabela 5 ? Fator de importância Social....................................................................................45 Tabela 6 ? Fator de importância Naturais, ecológico-ambientais............................................45 Tabela 7 ? Fator de importância Tecnologicos.........................................................................46 Tabela 8 ? Fator de importância Intitucionais...........................................................................47 Tabela 9 ? Fator de importância Externalidades.......................................................................48 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ARCO ? Associação Rio Grandense dos Criadores de Ovinos ABCONC ? Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos Naturalmente coloridos IBGE ? Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística FEE ? Fundação de Economia e Estatística SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 16 1.1 PROBLEMÁTICA ......................................................................................................... 16 1.2.OBJETIVOS .................................................................................................................. 18 1.2.1 OBJETIVO GERAL .................................................................................................... 18 1.2.2OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................... 18 1.3 JUSTIFICATIVA........................................................................................................... 19 2 REVISÃO DA LITERATURA ....................................................................................... 21 2.1 TOMADA DE DECISÃO .............................................................................................. 21 2.2 O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO ............................................................... 22 2.3 FATORES/ORIENTAÇÕES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DECISÓRIO ........ 23 2.4 TIPOS DE DECISÃO .................................................................................................... 26 2.5 ESTILO DO DECISOR ................................................................................................. 26 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS ................................................................................. 28 4 QUEM SÃO OS OVINOCULTORES? EXPERIÊNCIA DECISÓRIA E PERFIL PRODUTIVO ..................................................................................................................... 31 4.1.1 PERFIL SOCIAL ........................................................................................................ 32 4. 2 PERFIL FUNDIÁRIO E PRODUTIVO ........................................................................ 35 5 ESTILO DECISÓRIO NA ATIVIDADE DA OVINOCULTURA ............................... 39 6 FATORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ...... 42 6.1 Fatores econômicos e sociais associados que influenciam na tomada de decisão ............. 44 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 51 REFERENCIAS ................................................................................................................. 52 APÊNDICE A ? QUESTIONÁRIO .................................................................................. 54 ANEXO A ? IMAGENS .................................................................................................... 64 16 1 INTRODUÇÃO 1.1 PROBLEMÁTICA A criação de ovinos é uma das principais atividades produtivas de Santana do Livramento (RS), município localizado na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O munícipio possui sua historicidade fortemente marcada pela ovinocultura, atividade que forjou traços indenitários, culturais, sociais, econômicos e ambientais, combinados, no tempo e no espaço. Desde a sua implantação, ainda no século XVIII, com a constituição da propriedade privada através da estância pastoril, até o período recente, a produção de ovinos em Santana do Livramento e região, passaram por diferentes fases e transformações. Foi no século XX que a produção de ovinos se tornou uma atividade econômica de relevância no Rio Grande do Sul. Segundo Viana, Waquil e Spohr (2010), a ovinocultura gaúcha passou pelos seus anos de pujança econômica a partir da década de 1940, sendo esse período o marco do início da formação das primeiras cooperativas de lã e da criação de instituições de auxílio aos produtores, o que trouxe incremento tecnológico da produção. Na região da fronteira oeste, na década de 1950 e 1960 a ovinocultura era importante fonte de riqueza nas estâncias, sendo a lã considerada como ?ouro branco? (VIANA; WAQUIL; SPOHR, 2010). Santana do Livramento, nesse período, tornou-se o centro da ovinocultura na região (ALBORNOZ, 2008). As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas pelo período da modernização agrícola, no qual a intervenção governamental na agricultura, por meio de diversas entidades de pesquisa, extensão e crédito rural, teve forte influência sobre o estímulo à produção agrícola (particularmente com o cultivo de arroz) em áreas tradicionalmente ocupadas pela pecuária da bovinocultura de corte e ovinocultura. Esse processo de fomento à agricultura desencadeou um processo de desestimulo à produção de ovinos, iniciando-se o declínio da ovinocultura na região. No entanto, é no final da década de 1980 que inicia um período de crise econômica e recessão produtiva no setor, em consequência dos altos estoques australianos de lã e do início da comercialização de tecidos sintéticos no mercado têxtil internacional (NOCHI, 2001; VIANA; SILVEIRA, 2009). Segundo Viana e Silveira (2009), a crise iniciada sobre essa época se manteve ao longo da década de 1990, o que fez muitos produtores desistirem da atividade, e levou a significativa redução do rebanho comercial, gerando a desestruturação de toda a cadeia produtiva. Nesse período, ocorreu uma brusca redução do rebanho de ovinos no Rio Grande do Sul, passando de 10,6 milhões de cabeças 17 no ano de 1990, para 4,8 milhões em 2000, decréscimo em cerca de 54% dos animais (IBGE, 2018). O ponto mais elevado na produção de ovinos em Santana do Livramento aconteceu na década de 1970, quando chegou a atingir um rebanho de 1.100 milhão de cabeças, reduzindo para 478 mil em 2000 (IBGE, 2018). Apesar das mudanças ocorridas nos anos 1990 e das dificuldades do setor, com a estabilidade econômica e o aumento do poder aquisitivo da população na década de 2000, observa- se uma reestruturação do setor. A lã, que outrora era o principal produto de comercialização, passa a ser ceder espaço para a comercialização de carne que começa a ser valorizada no mercado nacional (SILVEIRA, 2005; VIANA; SILVEIRA, 2009; MACIEL, 2017). Com isso, ocorre uma reestruturação do setor, tanto nos processos produtivos, nos quais a lã deixou de ser o principal produto de comercialização, como na reconfiguração dos mercados que passaram a ser fortemente orientados à comercialização de carne. Nesse contexto, para Viana e Silveira (2009), a sazonalidade produtiva da atividade, a inexistência de um mercado constante, a exigência de uma oferta regular de animais, a necessidade de escala para comercialização e a busca por animais jovens por parte dos frigoríficos são dificuldades enfrentadas pelos produtores na comercialização de animais para abate via mercado. Mais recentemente, a pressão do cultivo de soja sobre os campos naturais tem promovido uma reconfiguração das formas de uso da terra na região. No período de 2000 a 2015, a área plantada com soja aumentou 73,7% no Rio Grande do Sul, sendo que grande parte desse aumento ocorreu na metade Sul do estado, com o avanço sobre os campos do bioma Pampa, tendo um aumento da área plantada de 188,5% nesse período (KUPLICH; CAPOANE; COSTA, 2018). Em Santana do Livramento, no mesmo período, ocorreu uma evolução da área plantada com soja de 340 hectares para 45 mil hectares (IBGE, 2018). Entre 2010 e 2018, período que coincide com o crescimento da área plantada de soja no município, o rebanhou passou, respectivamente, de 40,3 mil para 32 mil cabeças (IBGE, 2018). Essas mudanças no uso da terra modificam não apenas a paisagem natural, mas trazem modificações, ainda pouco conhecidas, também sobre os sistemas produtivos que envolvem a produção de ovinos. Com essa reconfiguração da ovinocultura, há que considerar que o produtor rural opera dentro de um ambiente dinâmico e inconstante, estimulado por agentes externos, tais como políticos, ambientais e econômicos, e internos, de cunho produtivo, social e cultural (valores, crenças). Em geral, o produtor rural e sua família, tomam suas decisões num ambiente de incertezas e riscos, uma vez que os fatores externos e internos, nem sempre são controláveis. Tendo isso em conta, quais são os processos decisórios que orientam as escolhas dos produtores? Quais são os fatores que influenciam diretamente a opção dos produtores em seguir investindo na ovinocultura? 18 Desde o ponto de vista da racionalidade dos produtores, quais são seus objetivos e o que faz alguns terem a tradição familiar como principal motivação para a criação de ovinos, abrindo mão de maximizar ganhos econômicos, enquanto outros possuem motivações distintas, como o lucro, a diversificação produtiva e a inserção em novos mercados? O que orienta alguns produtores a diversificarem seus sistemas de produção, integrando a ovinocultura a outras atividades, como oliveiras e lavouras? O que explica o comportamento econômico de integração a diferentes formas de mercados? Como a ameaça de espécies invasoras, como o javali, estrutura a organização produtiva? Como as questões sociais, como diferentes de escolaridade, ou problemas de sucessão familiar, orientam o processo decisório na ovinocultura? De que maneira a estrutura produtiva, considerando fatores internos das propriedades (tamanho de área, tipos de solo, mão de obra, doenças) e fatores externos (clima, crédito, estradas, preços, assistência técnica, tecnologias, etc.), influenciam as escolhas dos produtores? As respostas a essas e outras questões passam pelo entendimento de que no processo decisório, os indivíduos são capazes de expressar suas preferências básicas e racionais quando enfrentam situações de decisões (SIMON, 1970). Sendo assim, o problema de pesquisa surge com a seguinte questão: em um contexto de constantes mudanças de ordem internas e externas que atingem a ovinocultura no município de Santana do Livramento, quais são os fatores que influenciam a tomada de decisão dos produtores rurais em optar por permanecer ou desistir da criação de ovinos? 1.2. OBJETIVOS 1.2.1 OBJETIVO GERAL O objetivo geral é compreender a produção de ovinos em Santana do Livramento, levando- se em consideração o processo de tomada de decisão dos produtores e suas percepções e motivações que orientam a atividade produtiva. 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1. Identificar o perfil social e produtivo dos ovinocultores estudados; 2. Analisar os diferentes estilos de tomada de decisão entre os produtores de ovinos; 3. Identificar quais são os fatores sociais, culturais, econômicos, institucionais e ambientais e como influenciam as motivações e critérios dos processos decisórios. 19 1.3 JUSTIFICATIVA A tomada de decisão tem sido empregada nos estudos rurais que visam entender os processos que envolvem a análise e escolha entre múltiplas alternativas disponíveis para definir ou estabelecer uma ação (MACHADO et al., 2006). As decisões são escolhas tomadas com base em propósitos, são ações orientadas para determinado objetivos ou objetivos e o alcance desses objetivos determina a eficiência do processo de decisão. O produtor rural está constantemente tomando decisões, determinando que ação irá realizar, com o propósito de escolher corretamente o que é melhor para a sua propriedade, uma vez que as decisões tomadas no presente irão repercutir a médio e longo prazo na vida do produtor e da propriedade. Os exemplos de escolha racionais no processo de tomada de decisão sustentam-se nas suposições de que o agente decisor normalmente age como empreendedor que maximiza algo (geralmente lucro), que toma decisões em um processo sequencial e linear. Nesse modelo, o decisor identifica o problema ou questão que pede uma decisão e o próximo passo coleta e seleciona informações de acordo com as alternativas de soluções, compara cada solução com critérios pré- definidos para calcular o grau de ajustamento, ordena as soluções de acordo com uma ordem de preferência e seleciona a melhor opção. Nos últimos anos, importantes estudos foram produzidos acerca da temática da ovinocultura no estado do Rio Grande do Sul. A centralidade das pesquisas acadêmicas na ovinocultura versa sobre aspectos relacionados aos mercados, em temas diversos, como processos de governança (VIANA, 2008), integração e coordenação competividade da cadeia produtiva (SILVEIRA, 2005; VIANA; SILVEIRA, 2009; BARCHET, 2012; CANOZZI; 2013; VIANA et al, 2013; DECKER; FERNANDES; GOMES, 2016 ); fatores que influenciam o consumo de carne (MACIEL; VIANA, 2013; MALHEIROS, 2013; SANTOS; BORGES, 2019). Considerações sobre a heterogeneidade presente na produção ovina, envolvendo, sobretudo, a diversidade produtiva e o papel e lugar ocupado pela pecuária familiar na construção social de mercados, ainda não poucos exploradas em alguns poucos estudos (NESKE, 2009; RIBEIRO, 2009; ANJOS et al., 2016; MATTE et al., 2016; MACIEL; BECKER; NESKE, 2019). Observa-se, portanto, uma lacuna acadêmica aberta de estudos que buscam explorar a temática da tomada de decisão no contexto da ovinocultura, e que partem de análises que retratem a racionalidade dos produtores e os fatores adjacentes à tomada de decisão. Desta forma, a realização de estudos com essa perspectiva contribuirá para ampliar o horizonte teórico e analítico no que diz respeito ao entendimento do organização e funcionamento da estrutura da ovinocultura para as 20 condições gaúchas. De tal modo, esse estudo contribuirá para preencher essa lacuna, além de incentivar e servir de base para futuras pesquisas. Os objetivos delineados no projeto definem um campo de ação para uma investigação cujos resultados podem subsidiar uma articulação e mobilização conjunta de segmentos da sociedade (poder público, representações de classe, pesquisa e extensão rural, universidades) para (re)definir diretrizes capazes de aperfeiçoar e aliar processos de desenvolvimento que visem o fortalecimento da ovinocultura através de ações e políticas públicas mais assertivas. 21 2 REVISÃO DA LITERATURA Esta seção tem a intenção de apresentar a base teórica para a compreensão do tema gerador desta pesquisa, ou seja, o processo da tomada de decisão dos ovinocultores em Santana do Livramento-RS, sob o estudo dos autores que discutem os seguintes tópicos desenvolvidos: Tomada de Decisão; O Processo da Tomada de Decisão; Fatores/orientações que influenciam o processo decisório; Tipos de decisão; Estilo do Decisor. 2.1 TOMADA DE DECISÃO O homem está sempre buscando novas ferramentas e novos modos de pensar para ajudá-lo a decidir. Em meados do século passado, Chester Barnard, executivo aposentado do setor de telefonia e autor de As Funções do Executivo, inseriu a expressão ?tomada de decisão?, típica do vocabulário da gestão pública, no mundo dos negócios. Ali, ela passou a substituir descrições mais limitadas como ?alocação de recursos? e ?definição de políticas?. A chegada desta expressão mudou o modo como o administrador via aquilo que fazia e gerou uma nova firmeza no agir, um desejo de conclusão, diz William Starbuck, professor residente da Charles H. Lundquist College of Business, da University of Oregon. ?Definição de políticas pode ser algo interminável, e sempre vai haver recursos a alocar?, explica. ?Já ?decisão? implica o fim das deliberações e o início da ação.? Barnard e outros teóricos depois dele, como James March, Herbert Simon e Henry Mintzberg, lançaram as bases do estudo da tomada de decisão na administração. Mas o processo decisório em empresas é só uma pequena onda em uma corrente de pensamento nascida de um tempo em que o homem, diante da incerteza, buscava orientação nos astros. Saber quem toma decisões, e de que modo, é o que deu forma a sistemas de governo, justiça e ordem social mundo afora. ?A vida é a soma de todas as suas escolhas?, dizia Albert Camus. Se extrapolarmos, a história equivale à soma das escolhas de toda a humanidade. O estudo da tomada de decisão é, portanto, uma mescla de várias disciplinas do saber, como matemática, sociologia, psicologia, economia e ciência política. A filosofia reflete sobre o que uma decisão revela sobre nosso eu e nossos valores. A história dissera a decisão tomada por líderes em momentos críticos. Já o estudo do risco e do comportamento organizacional nasce de um desejo mais prático: ajudar o administrador a obter melhores resultados. E, embora uma boa decisão não garanta um bom resultado, tal pragmatismo em geral compensa. A crescente sofisticação da 22 gestão de risco, a compreensão das variações do comportamento humano e o avanço tecnológico que respalda e simula processos cognitivos melhorou em muitas situações, a tomada de decisão. A tomada de decisão deve perseguir o princípio básico de alocação eficiente dos recursos físicos, financeiros e humanos, no sentido de melhor atingir os objetivos fixados (DENT et al, 1986). A dinâmica dos sistemas de produção, como variações climáticas, doenças, pragas, alterações no cenário político-econômico, são fatores responsáveis pela incerteza no processo de tomada de decisão na propriedade. Também existem outros aspectos que devem ser considerados no processo decisório no ambiente produtivo das propriedades, como os aspectos sociais, a família, e a sua interação com o ambiente em que o produtor está inserido. Existem os objetivos pessoais, comportamento, necessidades da família, como componentes intrínsecos, que não vinham sendo considerados na tentativa de entender as decisões do produtor (GASSON, 1973). Em geral, a maximização do lucro, como critério único, para tentar entender a objetividade da decisão, não é suficiente (GASSON, 1973: ROMERO; REHMAN, 1989). Aspectos do comportamento humano, que norteiam as teorias de escolha e decisão, tem chamado a atenção de psicólogos e economistas (WEBER, 1994). Diante de toda essa complexidade, a tomada de decisão na unidade de produção, está sendo reconhecida como um processo altamente difícil, que precisa ser analisado e entendido com o intuito de enfrentar de maneira mais fácil os novos desafios que o desenvolvimento rural nos reserva. 2.2 O PROCESSO DA TOMADA DE DECISÃO O processo inicia com a percepção de alguma sorte ou estímulo, em que sugere ao decisor que uma ação deve ser tomada apara atingir um objetivo pré-fixado, ou para adequar-se para uma nova situação. É esperado que após a percepção de um problema, seja formado um conceito inicial para a situação, para depois tomar uma decisão. Existe uma complexa interação entre os processos de percepção, memorização e conceituação. O processo da tomada de decisão é composto por seis etapas sequenciais: identificação da situação; diagnóstico da situação; desenvolvimento das alternativas; seleção e implementação; monitoração e feedback (Pequi e sobral,2008). Muitas vezes, a etapa seis e apenas o início de um novo processo de tomada de decisão (Figura 1). 23 Figura 1 ? O Processo decisório. Fonte: Elaborado pelo autor (2019), adaptado de Pequi e Sobral (2008) A primeira etapa trata da conscientização do problema, verificando se a situação atual está insatisfatório; a segunda etapa é considerada o parte central do processo, na qual será focada toda a orientação; na terceira etapa ocorre a identificação correta da causa e o mais importante é encontrar a solução satisfatória; na quarta etapa, há uma dimensão mais cognitiva, em que se faz uma revisão mental das possíveis soluções alternativas; na quinta etapa, após escolher a melhor alternativa, faz- se a implantação dessa escolha, que significa transformar a decisão em ação; na última fase, procede-se o monitoramento e avaliação do resultado e, caso o problema não seja resolvido, ocorre a retomada do processo. A decisão não é um fim em si mesmo, é apenas mais uma etapa, pois decisões podem ocorrer tanto em níveis intermediários como finais, e uma decisão colocada em prática cria uma nova situação, que talvez gere uma nova decisão ou processos de resolução de problemas. Ao contrário do que parece, o objetivo do decisor, não é apenas enfrentar e resolver problemas na medida em que surgem, mas sim criar e inovar, atentando para o objetivo que se almeja. 2.3 FATORES/ORIENTAÇÕES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DECISÓRIO Segundo Andrade (2000), existem fatores que influenciam as tomadas de decisão, entre eles temos os fatores de ordem, e estes podem ser: Individual ? Podem ser de ordem psicológica, socioeconômica, valores pessoais ou de formação; 24 Corporativa ? Estes estão ligados ao ambiente institucional, atividades individuais ou coletivas, o tamanho ou formação de equipes, o ramo de atividade; Aspecto Macro ? Estão ligados ao mercado, políticas setoriais, legislação, horizonte político ou social; Os valores e objetivos influenciam na tomada de decisão nos espações rurais. O espaço de vida de uma pessoa é fundamental para compreender seu comportamento (LEWIN, 1965), sendo assim, sua relação com os grupos sociais e como se relaciona com o meio físico determina seus objetivos e sua atividade. O Objetivo não depende da situação em que ele se encontra, mas pode caracterizar um projeto familiar e podem ser múltiplos, os quais são projetados na propriedade e seguem uma coerência coma situação do produtor, de sua família e suas perspectivas em segui-los. Os sistemas agropecuários operam dentro de um ambiente dinâmico e mutável, impulsionados por fatores externos e internos. Assim uma decisão pode se construir partindo de razões especificas do decisor. Figura 2 ? Síntese do complexo processo decisional. Fonte: Autor (2019), adaptado de Simon(1970); Gasson(1973); Gasson e Errington (1993); Machado (1999). O produtor rural, antes de dar início ao processo de tomada de decisão, avalia os recursos de que dispõe e as suas limitações. Estudos demostram que os atos administrativos, em muitas 25 unidades, são assumidos por apenas uma pessoa, que, ao mesmo tempo planeja e executa (CARRIERI, 1992). A evolução socioeconômica, as demandas externas e as necessidades das famílias rurais, são provavelmente os fatores mais importantes da definição e alteração das metas e objetivos (CEZAR, 1999). Conforme Rodrigues et al. (2010), valores são categorias gerais que encerram componentes cognitivos, afetivos e predisponentes de comportamento. São diferentes das atitudes, pois podem ser gerais, já que alguns valores são capazes de conter muitas atitudes. Gasson (1973) classifica os valores em quatro tipos de orientação, no processo de tomada de decisão. 1) Orientação Instrumental ? Os valores associados a maximização do benefício, a obtenção de um benefício, a expansão do negócio e ter condições agradáveis de trabalho. 2) Orientação Social ? Esta diz respeito ao prestigio social, a relação com a comunidade rural, continuar a tradição familiar, trabalhar com outros membros da família e manter boas relações com os trabalhadores. 3) Orientação Expressiva ? Estão associados valores como a satisfação em sentir-se proprietário, trabalhar ele mesmo na propriedade, exercer habilidades e aptidões especiais, ter oportunidade de ser criativo no trabalho, fixar um calendário e alcançar os objetivos traçados. 4) Orientação Intrínseca ? Estão associados valores como sentir satisfação com o trabalho, desfrutar do trabalho agrícola ao ar livre, valorizar o trabalho duro, ter independência nas decisões, aceitar e controlar situações de risco. Figura 3 - Modelo de comportamento adaptativo do sistema familiar. Fonte: Brossier et al. (1990) apud Lima, Basso, Neumann (2005). 26 2.4 TIPOS DE DECISÃO As decisões gerenciais podem ser subdivididas em duas grandes categorias (SIMON, 1982), decisões programadas ou estruturas e não programadas ou não estruturadas. As decisões programadas são aquelas nas quais o processo da tomada de decisão está bem definido, tem um caráter rotineiro e repetitivo, e as organizações adotam processos específicos para administrá-las. As decisões não programadas são as de política inovadora, as mal estruturadas. São aquelas tomadas uma vez somente, normalmente administradas por processos gerais de solução, mediante o uso do bom senso, da intuição e de regras simples. Espera-se com o tempo ser capaz de desenvolver novas tecnologias que proporcione maior apoio a esse tipo de decisão. Cabe destacar que, em processos gerenciais, há poucas decisões que si situem nitidamente em um extremo ou outro desta escala, mas sim, em um misto continuo. 2.5 ESTILO DO DECISOR Este é um fator determinante no processo, sendo que o estilo do agente decisor está baseado em dois aspectos: em relação ao foco e em relação ao uso da informação. O primeiro diz respeito a quantidade de alternativas identificadas no processo e o segundo diz respeito a quantidade de informações realmente consideradas para a tomada de decisão. Da análise do cruzamento dessas diferenças, DRIVER et al. (1990), classificam o estilo de decisão em cinco categorias, conforme quadro abaixo. Quadro 1 ? Estilos comportamentais do decisor. Fonte: Driver et al. (1990). 27 O processo da tomada de decisão exige complexidade e tem características próprias em cada setor da economia. Na pecuária não é diferente, é requerida análise individual de cada agente. Muitas vezes a situação decisional não é racional como o sistema econômico, nem mesmo com observadores externos; ocasiona decisões contrárias a alguns objetivos, mas é coerente com outros e, em algumas situações, as decisões são tomadas sem conhecimento de causa (LIMA; BASSO; NEUMANN, 2005). Conforme ilustração figura 3 do modelo adaptativo do sistema familiar levando em consideração fatores externos e internos no processo de tomada de decisão. 28 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS Nesta seção apresenta-se o método que foi utilizado no presente trabalho, na intenção do alcance dos objetivos propostos. Segundo Fonseca (2002) os procedimentos podem variar conforme a pesquisa é realizada. Foram realizadas pesquisas de campo por meio de entrevista semiestruturada, com questões direcionadas para cada ator participante e sua relação com a atividade, essa ação teve o propósito de buscar dados sobre a tomada de decisão na ovinocultura no município e as variações que vem ocorrendo com a mesma no passar dos anos. Gil (2008) diz que a pesquisa descritiva serve para descrever as características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Na primeira fase do trabalho foi realizada uma pesquisa bibliográfica através de livros, teses, dissertações e sites que abordam o tema referente à tomada de decisão, com o objetivo de reunir informações e dados que servirão de base para a construção da investigação referente a atividade de criação de ovinos. O campo de estudos foi o município de Santana do Livramento (figura 01), que se destaca na pecuária (Bovina e Ovina) e na agricultura com a plantação de arroz e soja. A segunda fase foi a coleta de dados, nesta etapa foram selecionados através dos objetivos, sendo 04 produtores de ovinos, escolhidos pelo tamanho de áreas das propriedades e pela facilidade da obtenção das informações com os produtores, qualificados como, produtor (A), produtor (B), produtor (C), produtor (D). Como instrumento de coleta de dados optou-se por um questionário semiestruturado, com questões fechadas em um estudo de casos múltiplos, construído pelo autor a partir dos autores como Gil (2010), Sampaio (2009), Markoni e Lakatos (2010), Miranda (2012), Blaukenburng, et al. (2008) e Prodanov e Freitas (2009), que foi submetido entre os meses de outubro e novembro de 2019, para cada entrevistado, aonde foi analisado seu grau de conhecimento da produção, tempo de atividade, grau de instrução e os fatores que os levam a tomada de decisão, mediante uma conversa informal com cada participante. Os entrevistados estavam em diferentes regiões do município. A pesquisa foi classificada como exploratória descritiva, o qual segundo Barros e Lehfeld (2007) realiza a análise, o registro e a interpretação dos fatos do mundo físico sem a interferência do pesquisador. Esse tipo de pesquisa é muito empregado nas pesquisas mercadológicas e de opinião, aonde se buscou entender melhor o assunto em decorrência da exploração dos dados e o aprofundamento do assunto quanto à descrição. 29 A organização do questionário, foi elaborado conforme quadro X, a fim de entender melhor os aspectos decisórios para alcançar os objetivos propostos pelo trabalho. Quadro 2 ? Descrição do questionário em relação aos objetivos. Fonte: Elaborado pelo autor (2019). Na abordagem qualitativa, o objetivo é compreender os fenômenos através da coleta de dados narrativos, estudando as particularidades e experiências individuais. A pesquisa qualitativa reúne os dados que são coletados de forma narrativa, neste contexto, o questionário, que não são codificados usando um sistema numérico, sendo usado para entender os motivos, opiniões e motivações, também sendo utilizado para descobrir tendências de pensamento e opiniões. Na abordagem quantitativa, o objetivo é os fenômenos mediante a coleta de dados numéricos, apontando preferencias, comportamentos, e outras ações de indivíduos que pertençam a um determinado grupo, reúne dados que podem ser codificados de forma numérica. É utilizada para quantificar o problema por meio a geração de dados numéricos ou que possam ser transformados em estatísticas utilizáveis. A quantificação de opiniões, comportamentos e atitudes são utilizadas para generalizar os resultados de uma população. A pesquisa quantitativa é um método de pesquisa social que utiliza a quantificação nas modalidades de coleta de informações e no seu tratamento, mediante técnicas estatísticas, tais como percentual, média, desvio-padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, entre outros (MICHEL, 2005). 30 Ao findar esse capítulo que expos a metodologia, passa-se a apresentação da análise e discussão dos resultados como segue. 31 4 QUEM SÃO OS OVINOCULTORES? EXPERIÊNCIA DECISÓRIA E PERFIL PRODUTIVO Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA,2019, publicado na Animal Business Brasil, o Rio Grande do Sul possui o maior rebanho de ovinos do Brasil, com aproximadamente cinco milhões de cabeças. Dentre os municípios do estado, o destaque é Santana do Livramento, na região oeste, considerado a capital nacional da ovelha. O município detém quase meio milhão de animais destinados a produção de carne de cordeiro e lã. Mapa 01: Localização de Santana do Livramento. Fonte: Wikpédia (2019). Santana do Livramento localiza-se no Bioma Pampa, em uma parte da América do Sul. Monteblanco (2013) afirma que a área atual de Santana do Livramento corresponde a 6.941,399 km², sendo considerada a segunda maior extensão territorial do Estado. Caracterizada por clima subtropical, vastas planícies suavemente onduladas, cobertas por vegetação de campos e pradarias. Conta atualmente com uma população estimada em 82.312 pessoas (IBGE, 2017). Serão apresentados neste tópico a análise e discussão dos resultados obtidos através da pesquisa, sobre o processo da tomada de decisão dos ovinocultores em Santana do Livramento-RS. Para uma melhor compreensão os dados estão subdivididos em: 4.1. Perfil Social; 4.2 Perfil Fundiário e Produtivo; 4.3 Estilo decisório na atividade da ovinocultura; 4.4 Fatores que influenciam o processo de tomada de decisão. 32 No gráfico abaixo segue a variação das cabeças de ovinos nos últimos 25 anos, o que o trabalho busca entender e identificar é o motivo pelo qual essa queda ocorreu durante este período, partindo pela análise da tomada de decisão dos ovinocultores. Gráfico 01: Cabeças de Ovinos 1991/2016. Fonte: FEE (2019) 4.1.1 Perfil Social O presente tópico compreende as características sociodemográficas dos indivíduos que responderam o instrumento de pesquisa. Conforme mencionado no método sendo 04 produtores de ovinos, particularmente um de cada classe produtiva. O quadroo 2 apresenta os resultados obtidos por meio da frequência e percentual de acordo com as variáveis correspondentes. Quadro 3 - Perfil social dos (as) entrevistados (as) - Gênero, faixa etária, escolaridade. Gênero N % Feminino 1 25,0 Masculino 3 75,0 Total 4 100,0 Faixa Etária (anos) Nº % 0 a 20 anos 0 0,0 21 a 30 anos 0 0,0 31 a 40 anos 0 0,0 41 a 50 anos 1 25,0 51 a 60 anos 2 50,0 Acima de 60 1 25,0 Total 4 100,0 33 Escolaridade N° % 1º Grau Incompleto 0 25,0 1º Grau Completo 0 0,0 2º Grau Incompleto 0 0,0 2º Grau Completo 0 25,0 Superior Incompleto 0 0,0 Superior Completo 0 50,0 Pós-Graduação Incompleto 0 0,0 Pós-Graduação Completo 0 0,0 Total 4 100,0 Fonte: Autor (2019). Observando o quadro 2 percebe-se que da amostra de 04 entrevistados, na questão gênero, a maioria 75,0 %, são do sexo masculino, tendo em vista que a pesquisa foi aplicada com produtores voltados a ovinocultura, pode-se relacionar que a maioria dos homens respondeu a pesquisa, pois, são geralmente eles que figuram como as principais responsáveis processo da tomada de decisão na ovinocultura em Santana do Livramento. Em relação as mulheres, estas correspondem a 25% dos respondentes, No que concerne à idade dos respondentes obteve-se os seguintes resultados: a maioria 50,0% tem entre 51 e 60 anos; 25,0% estão entre 41 e 50 anos; sendo que 25,00% possuem idade acima de 60 anos. Pode-se perceber que as idades dos respondentes se mostram na maioria na faixa etária dos 41 a 60 anos. Onde apenas um respondente diz ter mais de 60 anos. Em relação à escolaridade observa-se que 50,0% dos indivíduos possuem o Ensino Superior, 25% respondeu que possui o Ensino Fundamental Incompleto e, o mesmo percentual diz o Ensino Médio Completo. Para melhor compreender estes dados quanto ao nível de escolarização dos respondentes, recorreu-se ao Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018), no qual se constatou que o nível de escolarização da população na faixa etária entre 25-60 anos, 56,2 % não concluíram o Ensino Médio, de um modo geral, a educação tem melhorado no país nos últimos 3 anos onde passou de 15,3% para 16,5% o percentual da população que concluiu o Ensino Superior. 34 Figura 4 - Tempo na atividade produtiva da ovinocultura. Fonte: Autor (2019). Outra questão abordada na pesquisa refere-se ao tempo na atividade produtiva na ovinocultura, conforme apresenta a figura 4, se pode constatar que 92% dos respondentes dedicam- se a esta atividade a mais de 30 anos, enquanto que 8% diz estar desenvolvendo a atividade entre 10 e 30 anos. A atividade da ovinocultura vem de longa data, de acordo com Bofill (1996), com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, em 1914, houve a entrada do mercado Rio-grandense nos países em conflito, com a demanda e, a subida de preços da carne e da lã. Assim, a partir de 1915, a ovinocultura rio-grandense tornou se uma exploração lucrativa, e melhoria na qualidade do rebanho ovino. Atividade que continua sendo explorada no Rio Grande do Sul até hoje. 35 4. 2 PERFIL FUNDIÁRIO E PRODUTIVO Figura 5- Situação fundiária dos estabelecimentos investigados. Fonte: Autor (2019). A estrutura fundiária de Santana do Livramento que teve origem em heranças das sesmarias caracterizou-se por muito tempo pelo predomínio de propriedades de grandes extensões de terra, mas vem sofrendo um lento processo de modificação, com o aumento em números de áreas denominadas pequenas propriedades. Conforme a figura 5, a situação fundiária dos respondentes da pesquisa apresenta-se a maioria 3,75% como proprietários e, 1,25% diz que além da extensão própria ainda são arrendatários de terceiros. Continuando com a análise dos proprietários em relação à extensão territorial das propriedades, a tabela 1, abaixo, nos informa que há uma propriedade com uma área perfazendo um total de 3.5087 ha sendo e, deste total, o proprietário tem 2894,1 ha e arrenda de terceiros 614,6, o que pode ser considerada o índice máximo entre as propriedades investigadas. Na categoria Média encontra-se o equivalente a 996,05 há sendo que deste total o respondente afirmou que 842,4ha são de sua propriedade e 153,65 são arrendadas de terceiros. Encontramos ainda um respondente na categoria mínimo o qual é proprietário de uma área correspondente a 13 há, onde desenvolve a atividade de ovinocultura. Pode se considerada como uma pequena propriedade frente aos demais entrevistados. 36 Tabela 1 - Medidas da área dos estabelecimentos em hectares. Área Total Própria Arrendada De terceiros Arrendada Para terceiros Parceria Média 996,05 842,4 153,65 0 0 Mínimo 13 13 0 0 0 Máximo 3508,7 2894,1 614,6 0 0 Fonte: Autor (2019). As propriedades no Rio Grande do Sul podem ser encontradas em diferentes tamanhos, sendo classificadas como pequenas e estendendo-se até grandes extensões de terra, variando em proporções que vão 0,3 a 6.000 ha, mas cerca de 50% das propriedades possuem uma área inferior a 50 hectares, assim 35% apresentam de 50 a 500 hectares e apenas 13% possuem áreas maiores que 500 hectares (SILVA, et al., 2013). Em relação ao respondente proprietário de 13ha encontramos em (RIBEIRO, 2009; TORRES, 2001), a afirmativa de que muitas das pequenas e médias propriedades podem ser associadas a pecuaristas familiares, isto é, a pessoas que há gerações ocupam essa região, constituída basicamente pela organização do trabalho da família. Figura 6 - Sistema produtivo predominante. Fonte: Autor (2019). A figura 6 apresenta a questão relativa ao sistema produtivo predominante nas propriedades investigadas, nas quais pode se constatar através dos respondentes que a maioria 3,75% desenvolve a integração entre pecuária bovina de corte mais a lavoura. Enquanto que 1,25% respondeu que dedica-se a pecuária bovina de corte mais ovinos de corte. / 37 Figura 7 ? Raças de ovinos presentes nos sistemas produtivos. Fonte: Autor (2019). Analisando a figura 7, onde o gráfico representa os tipos de raças de ovinos nos sistemas produtivos, os resultados da pesquisa chamam atenção quando os respondentes citaram as raças Texel e Ideal, as quais alcançaram os mesmos percentuais ou seja, 40% enquanto que a raça Corriedale representa 20% da produtividade. Segundo Viana; Silveira, (2009), O Rio Grande do Sul tem como característica a criação de diferentes raças de ovinos, mas algumas se destacam em termos de utilização dentro da ovinocultura, por terem dupla aptidão, podendo ser para a produção de carne e lã ou podendo atender uma das finalidades. Conforme Borge; Gonçalves (2002), a raça Texel apresenta como característica a produção de carne, adaptam-se bem as regiões do estado, são de boa fertilidade, precocidade, apresentam pouca gordura corporal, beneficiando a qualidade da carcaça. Segundo o Portal Agropecuário a raça Ideal originou-se na Austrália, tem como característica a capacidade de produzir lã. Possuiu grande adaptabilidade as condições menos favoráveis de meio ambiente, como solos pobres, desde que a umidade relativa do ar seja baixa. A raça Corriedale surgiu na Nova Zelândia, é considerada uma raça mista, é considerado um animal meio equilibrado, tem bons resultados tanto na produção de lã como na de carne, apresenta como características a rusticidade, vigor e precocidade. 38 Tabela 2 ? Número de cabeças por categoria - raça e área. Fonte: Autor (2019). A tabela 2 reporta-se ao número de cabeças de ovinos de acordo com a raça que os ovinocultores entrevistados possuem e com o tamanho de suas propriedades no momento da pesquisa. Conforme pode se observar da raça Texel encontramos o maior número com 2787 cabeças; a raça ideal compreende 419 cabeças enquanto que da raça corriedale o número de cabeças apontadas pelos respondentes é de apenas 35. Produtor ha Raça Texel Raça Ideal Raça Corriedale A 27,5 100 B 13 19 35 C 435 400 D 3508 2687 39 5 ESTILO DECISÓRIO NA ATIVIDADE DA OVINOCULTURA Este tópico aborda as respostas obtidas relativas ao estilo decisório na atividade da ovinocultura. Os respondentes foram questionados quanto: às formas de tomada de decisões; avaliação de riscos nas decisões; controle contábil e gestão informatizada; meios de informação e grau de influência das informações nas decisões; quem toma decisão na propriedade; fatores que influenciam mudanças produtivas na produção de ovinos; satisfação em relação a criação de ovinos. Figura 8 ? Como são tomadas as decisões. Fonte: Autor (2019). Analisando a figura 8, que corresponde a questão de como são tomadas as decisões dos ovinocultores em relação a produtividade, percebe-se que 50% dos respondentes levam em consideração o custo/benefício, enquanto que 25% responderam intuição / impulso e, os outros 25% tomam decisões utilisando ambas as alternativas citadas. Para a tomada de decisão, o produtor necessita de muitas informações, as quais precisam ser analisadas, porém, no meio rural, a limitação estrutural e organizacional dificulta o acesso a dados consistentes e reais. Por isso, a tomada de decisão no meio rural é muito mais baseada na criatividade, intuição e experiência do que em métodos com suporte científico (CHAVES, et al., 2010). O ovinocultor respondente desta pesquisa em sua maioria considera como fator importante na tomada de decisão quanto a produtividade as questões que envolvem custo/benefício, no sentido de evitar prejuízos nas negociações. 40 Figura 9 - Avaliação de risco nas decisões. Fonte: Autor (2019). Esta questão representada na figura 9, complementa a questão anterior, pois trata da avaliação dos riscos na tomada de decisão, a qual obteve 100% como resposta. a alternativa ?Sempre?, ou seja os ovinocultores entrevistados foram unanimes em afirmar que avaliam sempre os riscos na tomada de decisões, visto que já afirmaram que procuram valer-se do custo/beneficio na tomada de decisões que envolvem a produtividade. Percebe-se uma certa divergência entre as repostas da figura 8 em relação a tomada de decisão e a figura 9 em relação a avaliação dos riscos, uma vez que um dos investigados age por impulso, 25% dos entrevistados, e todos 100% relatam que sempre avaliam os riscos. Sendo que o decisor agindo por impulso dificilmente avaliará os riscos. Figura 10 - Controle contábil e gestão informatizada Fonte: Autor (2019). 41 A questão que se referia a gestão na atividade obteve como resposta representadas aqui na figura 10, as seguintes alternativas: Três (3) dos respondentes que ?SIM? realiza controle contábil e um (1) afirmou que a gestão da propriedade é informatizada. Na mesma questão um (1), não realiza controle ambiental e três respondeu que a gestão da propriedade não é informatizada. 42 6. FATORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO Neste tópico será realizada a análise e discussão das questões que envolvem os fatores que influenciam o processo de tomada de decisão, na atividade de ovinocultura conforme as respostas dos entrevistados, conforme segue: Quadro 4 - Meios de informação e influência nas decisões. Meios de informação Nº % Televisão 0 0 Rádio 0 0 Vizinhos 1 25 Jornal 0 0 Revista especializada 0 0 Técnicos 3 75 Internet 0 0 Grau de influência Nº % Sim 2 50 Não 2 50 Fonte: Autor (2019). O quadro 4 trouxe as respostas sobre a questão que envolve os meios de informação e a influência destas nas tomadas de decisões na atividade de ovinocultura. Segundo os respondentes 75% diz que recebem informações dos técnicos, enquanto que 25% diz ser informados por vizinhos. Quanto o grau de influência das informações a questão ficou com 50% considera ser influenciado e 50% diz não ter influência em suas decisões. Figura 11 - Quem toma decisão na propriedade. Fonte: Autor (2019). 43 Seguindo a analise da pesquisa a figura 11 representa a resposta da questão ? Quem toma as decisões?, sendo que 50% dos respondentes considera que toda a família que decide, já 25% respondeu que, a decisão fica com ?Filho(a) e, os outros 25% diz que quem toma as decisões é o chefe. Figura 12 - Fatores que influenciam mudanças produtivas na produção de ovinos. Fonte: Autor (2019). Quanto à questão que abordou os fatores que influenciam mudanças na produção de ovinos, a figura 12 representa as respostas coletadas na pesquisa, onde 50% dos respondentes assinalou como fatores as oportunidades de mercado,25% diz ser as melhorias nas condições de trabalho e, 25% considera como fator de influência o aumento da produtividade. Figura 13 - Satisfação em relação a criação de ovinos. Fonte: Autor (2019). Observando a figura 13, a questão apontada na pesquisa buscou conhecer o grau de satisfação dos respondentes em relação à criação de ovinos. Pode se dizer que 50% consideram-se 44 satisfeito com a atividade da ovinocultura e 25% muito satisfeito enquanto que chama 25% diz estar muito insatisfeito com em relação a criação de ovinos. 6.1 Fatores econômicos e sociais associados que influenciam na tomada de decisão Este tópico aborda as questões que envolvem os fatores importância econômicos e sociais que possam ter influencia e o graus de influencia na tomada de decisão segundo os ovinocultores. Tabela 3 - Fator de importância na comercialização ? critérios na comercialização (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Melhores preços no momento 0,0 0 75 25 100,0 Contrato prévio com o comprador 0,0 25 75 0 100,0 Vender quando necessita de dinheiro 0,0 25 75 0 100,0 Vender quando o preço está bom 0,0 25 25 50 100,0 Vender quando necessita liberar o campo 0,0 0 100 0 100,0 Confiança no comprador 0,0 25 25 50 100,0 Pagamento diferenciado pela qualidade 0,0 0 50 50 100,0 Pagamento diferenciado por raça 0,0 0 50 50 100,0 Regularidade dos pagamentos 0,0 0 50 50 100,0 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). Analisando na tabela 3 quanto as fatores economicos e sua importancia na comercialização, as alternativas foram consideradas da seguinte forma pelos respondentes: Melhores preços no momento 75% considera importante enquanto que 25% considera muito importante;Contrato prévio com o comprador obteve a seguinte resposta: 75% onsidera importante e, 25% pouca importancia; De acordo com o produtor C a decisão pela redução no rebanho ovino deu-se basicamente por dois fatores, conforme seu relato. ?O problema é a falta de mão de obra, o pessoal não quer mais trabalhar, e tu não tem uma segurança no preço da lã, quem manda no preço é a China, depende do tipo de lã que ela quiser, por mais qualidade que tenha a tua lã, se não for tipo que eles querem, não te pagam pela tua qualidade? (Produtor C). 45 Tabela 4 - Fator de importância na comercialização ? problemas na comercialização (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Inadimplência por parte dos compradores 0 25 25 50 100 Distância com relação ao frigorífico ou açougue 0 25 25 50 100 Baixo preço pago pelos animais/lã 0 0 25 75 100 Falta de um padrão de acabamento 0 0 50 50 100 Falta de alternativa de compradores 0 25 25 50 100 Concentração do mercado/comprador 0 0 50 50 100 Falta de um padrão de raça 0 0 100 0 100 Incerteza na comercialização 0 0 50 50 100 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). A tabela 4 apresenta a questão sobre os fatores de importancia economica e os problemas na comercialização enfrentados pelos ovinocultores, os quais responderam levando em conta os fatores de Importancia na Comercialização . classificados por grau de Importância, sendo 1 Nenhuma importancia; 2 Pouca Importância; 3 Importante e 4 Muito importante. Assim, o fator: ? inadimplência por parte dos compradores? foi considerada por 50% dos respondentes como Muito importante; 25% consideraram importante e os outros 25% acreditam ser de Pouca Importância. A ?distância com relação ao frigorifico ou açougue? recebeu a mesma resposta da anterior em relação ao grau de importancia. Já o fator Baixo Preço pago pelos animais/lã foi considerada por 75% dos respondentes como Muito importante, enquanto que os outros 25% disseram ser importante. A falta de um padrão de acabamento recebeu a seguinte classificação 50% consideram Muito importante enquanto que os outros 50% acreditam ser importante. Outro fator que exigiu a resposta dos ovinocultores foi a falta alternativa de compradores que, foi considerada por 50% como muito importante, 25% acham importante e, os outros 25% dos respondentes pensam ser de pouca importância. O fator concentração do mercado/ comprador foi considerada por 50% dos respondentes como Muito importante enquanto que os outros 50% classificaram como importante. Quanto a falta de um padrão de raça foi um fator considerado por unanimidade ou seja, 100% dos respondentes apontaram como muito importante. O fator incerteza na comercialização foi classificado por 50% dos respondentes como muito importante e, os outros 50% consideram que seja importante. 46 As duas menores áreas de produção respectivamente o produtor A com 27,5ha e o produtor B com 13ha, tem um olhar diferente em relação a comercialização. No caso do produtor A, que não tem a sua atividade principal a ovinocultura e investe em melhoramento genético tem a seguinte opinião: ?A criação de ovelha é muito rentável para o pequeno produtor, pois não demanda de tanta mão de obra para o manejo e no meu caso que invisto em genetica tenho um excelente mercado fora , eu não produzo quantidade e sim qualidade? ? (Produtor A) Já o produtor B, possuiu um outro sentimento quanto comercialização conforme seu relato: ?a chacra não dá muito, só se tira pra come, a não se que se bote muito dinhero, nos temo a aposentadoria e já to muito velho pra ta lidando todo o dia no final eu vendo prus parente e pros vizinho,se o preço da lã ta bom eu vendo senão espero atá dá uma meiorada, tirando os remédio ta bom? (Produtor B). Tabela 5 - Fator de importância associados ao fator social (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Disponibilidade de mão-de-obra especializada para a produção 0 0 50 50 100 Contratação de mão de obra 0 0 25 75 100 Sucessão rural 0 0 75 25 100 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). Quanto aos fatores de importância social, a tabela 5 demonstra em grau de importância o resulatdo obtido nas respostas dos ovinocultores , sendo que o primeiro fator Disponibilidade de mão-de-obra especializada para a produção foi considerado por 50% dos respondentes como mauito importante e, os demais responderam ser importante. O fator Contratação de mão-de - obra foi respondido da seguinte forma: 75 % disse ser muito importante e 25% dos respondentes consideram importante. O fator Sucessão rural foi classificado por 75% dos respondentes como importante e, 25% consideraram ser muito importante. 47 Tabela 6 - Fator de importância naturais, ecológico-biológicos (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Disponibilidade de área 0 0 50 50 100 Disponibilidade de água 0 0 25 75 100 As condições de solos 0 0 75 25 100 As condições das pastagens 0 0 50 50 100 Doenças no rebanho 0 0 25 75 100 Adaptação de raças 0 0 25 75 100 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). Continuando a análise dos resultados da pesquisa, encontramos na tabela 6, a questão: Fatores de importância naturais, ecológicos- biológicos, os quais foram respondidos levando em consideração o grau de importância. O fator disponibilidade de área foi considerado por 50% dos respondentes como sendo muito importante e, 50% responderam que é importante. O fator disponibilidade de água foi considerado muito importante, por 75% dos respondentes e para 25% dos respondentes é importante. O fator condições do solo obteve a seguinte classificação: 25% consideram muito importante enquanto que 75% diz ser importante. Quanto ao fator condições das pastagens 50% dos respondentes disse ser muito importante e 50% classificam como importante. O fator doença no rebanho é avaliado por 75% dos respondentes como muito importante e, os outros 25% afirmam ser importante. No tocante a doenças no rebanho o produtor D, que possuiu o maior rebanho entre os entrevistados com uma população de 2687 cabeças da raça Texel e a maior área com 3508,7ha, a diminuição do rebanho deu-se em razão de um surto de sarna ovina, que foi muito dificil de combater,e também ao ataque de javalis. Adaptação das raças foi um fator avaliado por 75% dos ovinocultores como sendo muito importante enquanto que os 25% restantes avaliaram como importante. 48 Tabela 7 - Fator de importância tecnológicos (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Controle e tratamento de doenças 0 0 0 100 100 Manejo das pastagens 0 25 0 75 100 Manejo dos animais 0 0 0 100 100 Tecnologias de gerenciamento econômico- financeiro 0 25 50 25 100 *Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor(2019). A tabela 7 representa as respostas da questão Fatores tecnológicos, os quais também foram avaliados pelo graus de importância para os respondentes. Sendo que o fator Controle e tratamento de doenças é visto pelos ovinocultores em unanimidade (100%) como muito importante. O fator manejo das pastagens recebeu a seguinte classificação: 75% considera muito importante e 25% pouca importância. Já o fator manejo dos animais foi considerado 100% como muito importante e, o fator tecnologias de gerenciamento econômico- financeiro é visto pelos respondentes da seguinte forma: 50% considera importante, 25% muito importante e, 25% pouca importância. Tabela 8 - Fator de importância institucionais (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2** Grau 3** Grau 4**** Total (%) Disponibilidade de informações e suporte das instituições de pesquisa e universidades 0 0 50 50 100 Disponibilidade de informações e suporte das instituições de extensão rural e assistência Técnica 0 0 50 50 100 Presença do poder Público Municipal 0 0 50 50 100 Presença de sindicatos 0 0 75 25 100 Presença de associações 0 0 75 25 100 Crédito pecuário ? custeio 75 0 0 25 100 Crédito pecuário ? investimento 75 0 0 25 100 Crédito pecuário ? comercialização 75 0 0 25 100 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). A questão fatores institucionais representadas pela tabela 8, trazem as respostas dos ovinocultores em grau de importância sendo que: 49 A disponibilidade de informações e suporte das instituições de pesquisa e universidade recebeu como resposta 50% acreditam ser muito importante 50% importante. A disponibilidade de informações e suporte das instituições de extensão rural e assistência técnica também foi avaliada como muito importante (50%) e importante (50%). O fator presença do poder público Municipal foi considerado por 50% como muito importante e 50% importante. Já o fator presença de sindicatos e o fator presença de associações receberm a mesma avaliação em grau de importância sendo considerados por 75% dos respondentes como importante enquanto que 25% acredita ser muito importante. Os fatores crédito pecuário/ custeio/investimento e comercialização receberam o mesmo tratamento pelos respondentes quando 75% considera nenhuma importância e 25% muito importante. No que diz respeito a custeio da produção, o produto D, relatou de sua importancia, pois segundo as suas palavras. ?Em relação a custos fixos não reduzimos, pois são de grande importância para a criação e produtividade, como mão de obra, sanidade, manejo e alimentação, avaliamos os custos variaveis sempre buscando uma harmonia com o mercado financeiro? ? (Produtor D) Tabela 9 - Fator de importância externalidades (em percentual). Fator de Importância Grau 1* Grau 2**Grau 3**Grau 4**** Total (%) Clima -Verão 0 0 25 75 100 Clima ?Inverno 0 0 50 50 100 Estradas 0 0 25 75 100 Políticas públicas para o setor 0 0 50 50 100 Custos de insumos agropecuários 0 0 25 75 100 * Nenhuma importância; ** Pouca importância; *** Importante; **** Muito importante Fonte: Autor (2019). A pesquisa buscou conhecer a opinião dos respondentes quanto ao grau de importância do fator externalidade em relação as tomadas de decisões na ovinocultura. Questionados sobre o fator clima-verão 75% respondeu ser muito importante e 25% atribuiu ser importante. Já o fator clima- inverno 50% disse ser muito importante e 50% importante. O fator Estrada foi avaliado por 75% dos respondentes como muito importante e 25% importante. O fator políticas públicas para o setor para 50% é muito importante e 50% disse ser 50 importante. Quanto ao fator custos de insumos agropecuários 75% dos entrevistados avaliaram como muito importante e 25% importante. 51 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi possível identificar que a tomada de decisão entre os quatro produtores investigados revela percepções, motivações e culturas diferentes. Durante a análise nota-se que três (03) dos decisores agem de modo bem similar, enquanto um ( 01) deles, e justamente o que possui a menor área de terra, atua de maneira bem simples, é o que tem a maior idade entre os quatro, menor escolaridade, não faz registros contábeis, mesmo os mais simples, como despesa e receita, não participa de grupos, entidades, sindicatos e associações, a sua tomada de decisão é realizada por impulso ou conhecimento empírico e sua produção é comercializada com vizinhos e parentes. Entre os três (03) restantes, um (01) possui o ensino médio completo, a segunda menor área, a atividade não é a sua principal fonte de renda, optou pela produção de qualidade e investe em genética, encontrou um nicho de mercado que está explorando, está inserido no mercado, participa de associações e sindicatos, toda a sua comercialização (compra e venda) é feita em feiras e remates. A tomada de decisão deste produtor é realizada em conjunto com a família, avalia oportunidades e riscos. Os últimos dois (02) produtores investigados têm conduta similar com o anterior, possuem curso superior, participam de associações, sindicatos, estão inseridos no mercado, a sua produção é comercializada para frigoríficos, possuem um mercado comprador garantido. A tomada de decisão de ambos também visa uma melhor rentabilidade, a principal diferença entre eles é que um (01) durante a avaliação das oportunidades e riscos divide a responsabilidade com os demais membros da família, enquanto o outro afirma que quem decide é o chefe. Como conclusão deste trabalho, que embora sejam produtores com manejo e áreas diferentes, o número de investigados é muito pouco para realizarmos um desenho fiel de como é o processo da tomada de decisão dos produtores de ovinos de Santana do Livramento, já que possuímos um universo de 1240 propriedades no município que produzem ovinos. Existe a necessidade de ampliarmos a quantidade de entrevistados para termos esse quadro. O que ficou evidente é que a maioria busca uma maximização da renda na comercialização do produto obtido pela ovinocultura, podendo ser ele carne ou lã, e isso explica a variação do número de cabeças que reduziu em Santana do Livramento, a oportunidade de mercado. 52 REFERENCIAS ALBORNOZ, V. do P. L. Fronteira gaúcha: Santana do Livramento. In: Memorial do Rio Grande do Sul: caderno de história 36. [ S. l.], 2008. ANJOS, F. S., SILVA, F. N., POLLNOW, G. E. O sinuoso caminho de construção da qualidade na ovinocultura pampiana: O caso do cordeiro Herval Premium. Estudos Sociedade e Agricultura, v. 24, n.1, p. 287-310, 2016. BARCHET, I. Avaliação da competitividade da cadeia produtiva de carne ovina no Rio Grande do Sul. 2012. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2012. CANOZZI, M. E. A. 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QUESTIONÁRIO DIAGNÓSTICO DA OVINOCULTURA DE SANTANA DE LIVRAMENTO/RS Data: ____/____/_______ Nome do(a) entrevistado(a):_____________________________________________ Idade: ______ Proprietário(a) ( ) Filho( ) Outro( ):_________________ ( ) M ( ) F Localidade e Distrito: ___________________________________________________ Telefone(s): ___________________________________________________________ Distância (em Km) da UPA da cidade: _____________ Entrevistador(a):_______________________________________________________ PARTE 1- EXPERIÊNCIA DECISÓRIA PARTE 2 - PERFIL PRODUTIVO 02. Composição da mão de obra 2.1 Mão de obra da família (N° de pessoas): ___________ 2.2 Mão de obra contratada fixa (N° de pessoas): ________ Bovinos de corte Ovinos Lavouras Outros N° de pessoas Atividade realizada (marque x) 2.3 Mão de obra contratada temporária (ano): Bovinos de corte Ovinos Lavouras Outros N° de pessoas Atividade realizada (marque x) 04. Situação fundiária Situação fundiária Área (ha) Área Total Área Própria Área Lavoura Área Pecuária Área Arrendamento* De terceiros Para terceiros Área Parceria *Para quê: ( )Arroz ( )Soja ( )Bovino ( ) Ovino *Outros: Seu nível de educação formal: ( ) 1º Grau Incompleto ( ) 1º Grau Completo ( ) 2º Grau Incompleto ( ) 2º Grau Completo ( ) Superior Incompleto ( ) Superior Completo ( ) Pós-Graduação Incompleto ( ) Pós-Graduação Completo 6. Qual a sua idade: ( ) Até 30 anos ( ) Entre 31 e 40 anos ( ) Entre 41 e 50 anos ( ) Entre 51 e 60 anos ( ) Mais do que 60 anos Tempo na atividade ? ovinocultura:_______ ( ) Até 5 anos ( ) Entre 05 e 10 anos ( ) Entre 10 e 15 anos ( ) Entre 15 e 20 anos ( ) Entre 20 e 25 anos ( ) Mais de 30 anos 55 05. Como foram obtidas as terras a) ( ) Através de herança b) ( ) Compra de parentes c) ( ) Compra de terceiros d) ( ) Através de doação e) ( ) Posse g) ( ) Outra situação. __________________________ 06. Quais as principais fontes de renda da propriedade?- grau de importância (marque X) Fonte de Renda 1º 2º 3º Pecuária Pecuária e lavoura Lavoura Atividade não-agrícola (?fora da UPA?) Aposentadoria/pensão Arrendamento Outra: 07. Qual o sistema de produção predominante: a) ( ) pecuária bovina de corte b) ( ) pecuária bovina de corte + ovinos de corte c) ( ) pecuária bovina de corte + ovinos de corte d) ( ) ovinos de corte e) ( ) integração pecuária bovina de corte + lavoura (arroz) f) ( ) integração pecuária bovina de corte + lavoura (soja) g) ( ) integração pecuária bovina de corte + lavoura (soja+arroz) 08. Quais são as atividades agropecuárias desenvolvidas em sua propriedade? 56 a) ( ) Bovinos de corte Nº total: _____________ b) ( ) Bovinos de leite Nº total: _____________ c) ( ) Ovinos Nº total: _____________ Por que cria essa(as) raça(s)? a) ( ) tradição b) ( ) adaptação c) ( ) oportunidade de mercado d) ( ) outros _________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________ Há quanto tempo cria ovinos?____________ d) ( ) Caprinos Nº total: _____________ e) ( ) Equinos Nº total: _____________ f) ( ) Lavoura de subsistência. Cultivo:________________________________ Ha _____________ Cultivo:____________________________________ Ha _____________ Cultivo:____________________________________ Ha _____________ g) ( ) Arroz Ha__________ h) ( ) Soja Ha___________ i) ( ) Silvicultura Ha__________ j) ( ) Fruticultura Ha___________ k) ( ) Outra(s). Especifique:_____________________________________ 09. Formas de criação ovinos ( ) Intensivo ( ) semi-intensivo ( ) extensivo 10. Aptidão do rebanho de ovinos ( ) Carne ( ) lã ( ) carne e lã 12. Houve aumento ou diminuição do rebanho de ovinos nos últimos anos? ( ) Sim ( ) Não Razões:___________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________ 13. Incidência de abigeato na propriedade ( ) Nenhuma ( ) Baixa ( ) Média ( ) Alta 14. Presença de javali na propriedade ( ) Sem presença de javali ( ) Sim, sem prejuízo econômico ( ) Sim, com prejuízo econômico Alimentação ovinos 15. Características das Pastagens: Campo nativo: ______ha Campo nativo melhorado: ______ha Espécie(s):_________________________________________ Pastagem cultivada de inverno: ______ha Espécie(s):_________________________________________ Pastagem cultivada de verão: ______ha Espécie(s):_________________________________________ 16.Suplementação ( ) Não ( ) Sim Tipo? Época/ano Categoria animal ( ) Ração ________________ _______________ ( ) Farelo de soja ________________ _______________ ( ) Milho ________________ _______________ ( ) Sal comum ________________ _______________ ( ) Sal mineral ________________ _______________ ( ) Sal proteinado ________________ _______________ Outros:______________________ ________________ _______________ Outros:______________________ ________________ _______________ Outros:______________________ ________________ _______________ Raça Ovinos Nº animais Raça Nº animais Raça Cruzadas Nº animais Texel (1) Dorper (7) Merino (2) Hampshire (8) Ideal (3) Romney Marsh (9) Corriedale (4) Ile de France (10) Suffolk (5) Crioula (11) Santa Inês (6) 57 17. Forragens Conservadas ( ) Feno Época_________ ( ) Silagem Época________ Manejo das pastagens 18. Pastejo ( ) consorciado com bovinos ( ) apenas ovinos 19. Métodos de pastejo ( ) Contínuo ( ) Rotativo Cerca fixa n° piquetes:_____ Cerca elétrica n° piquetes:_____ 20. Critérios ajuste da carga animal/ovinos ( ) não utiliza ( ) lotação ( ) altura do pasto ( ) condição dos animais 21. Problemas com espécies indesejáveis na produção de ovinos? ( ) Não ( ) Sim ( ) carqueja ( ) caraguatá ( ) alecrim ( ) mio-mio ( ) chirca ( ) macega-estaladeira ( ) barba-de-bode ( ) maria mole ( ) capim annoni ( ) Outros_____________________ 22. Controle de espécies indesejáveis ( ) Roçada ( ) Lotação ( ) Herbicida ( ) Lavoura ( ) Queimada ( ) Não realiza Aspectos reprodutivos 23. Manejo reprodutivo ( ) Monta natural livre ( ) Monta natural livre ( ) Inseminação artificial ( ) Sincronização 24. Época manejo reprodutivo Manejo Período do ano Mês indefinido Todo ano Monta Natural Inseminação artificial Sincronização 25. Critérios utilizados para o descarte das ovelhas e carneiros a) ( ) idade d) ( ) programa seleção d) ( ) nenhum 26. Critérios utilizados para o descarte de carneiros a) ( ) idade b) ( ) exame andrológico c) ( ) idade + andrológico d) ( ) programa seleção d) ( ) nenhum 27. Informações para cálculo Índices reprodutivos ? último ano agrícola (2018/2019) a) N° ovelhas paridas:_______ b) N° ovelhas encarneiradas:_______ c) N° cordeiros nascidos:_______ d) N° cordeiros desmandados:_______ e) total de fêmeas adultas:_______ PARTE 3- COMERCIALIZAÇÃO E INSERÇÃO NO MERCADO 11. Finalidade da criação de ovinos ( ) Subsistência ( ) Comercial ( ) Subsistência/ Comercial 28. Critérios relevantes na comercialização Critério Grau de Importância 58 Nenhuma Pouco importante Importante Muito importante Contrato prévio com o comprador Vender quando necessita de dinheiro Vender quando o preço está bom Vender quando necessita liberar o campo Confiança no comprador Pagamento diferenciado pela qualidade Pagamento diferenciado por raça Regularidade dos pagamentos 29. Problemas encontrados na comercialização Problemas Grau de Importância Nenhuma Pouco importante Importante Muito importante Inadimplência por parte dos compradores Distância com relação ao frigorífico ou açougue Baixo preço pago pelos animais/lã Falta de um padrão de acabamento Falta de alternativa de compradores Concentração do mercado/comprador Falta de um padrão de raça Incerteza 30. Principais mercados acessados na comercialização Categoria Compra Venda Ovelhas de cria Carneiros Cordeiros (as) Borregos (as) Lã *Vizinhos, familiares, cooperativa, barraca, remate, frigorífico, atravessador, etc 59 PARTE 4- PERFIL TÉCNICO - PROFISSIONAL E PERSPECTIVAS FUTURAS 31. Acesso a crédito a) ( ) Custeio pecuário b) ( ) Custeio Agrícola c) ( ) Comercialização agrícola d) ( ) Comercialização pecuária e) ( ) Investimento agrícola f) ( ) Investimento pecuário 32. Há quantos anos acesso crédito?________ 33. Realiza controle contábil? ( ) Sim ( ) Não Se sim, há quanto tempo (anos)?_____ Quem realiza? ( ) Próprio ( ) Membro família ( ) Outro 34. Gestão da propriedade é informatizada? ( ) Sim ( ) Não Se sim, tipo? ( ) controle contábil financeiro ( ) Controle registro animais ( ) Outro__________ 35. Recebe assistência técnica? ( ) Sim ( ) Não Se sim, de quem? ( ) Própria ( ) Emater ( ) Secretaria Agricultura ( ) Cooperativa ( ) Agron/Vet Liberal ( ) Outro (vendedor, Assoc. Raça, etc) Periodicidade? ( )Eventual ( ) Integral ( ) Semanal ( ) Mensal ( ) Semestral Meios de informação na atividade ovinocultura ( ) televisão ( ) rádio ( ) vizinhos ( ) jornal ( ) revista especializada ( ) técnicos ( ) internet Grau de influência das informações nas decisões ( ) Sim ( ) Não ( ) As vezes 36. Quem toma decisão na propriedade a) ( ) Chefe b) ( ) Toda a família que decide c) ( ) Filho (a) d) ( ) Responsável técnico pela propriedade c) ( ) Outro_______________ 37. O que levam em consideração para realizarem mudanças produtivas de ovinos a) ( ) Aumento da produtividade b) ( ) Diminuição dos custos c) ( ) Oportunidades de mercado d) ( ) Melhorias nas condições de trabalho - diminuição da penosidade e) ( ) Outro_______________ 38. Motivação principal para se dedicarem às atividades de criação de ovinos a) ( ) Tradição b) ( ) Satisfação c) ( ) Atividade segura d) ( ) Lucro e) ( ) Subsistência f) ( ) Sustento g) ( ) Única alternativa h) ( ) Outro________________________________ 39. Satisfação em relação a criação de ovinos a) ( ) Muito satisfeito b) ( ) Satisfeito c) ( ) Insatisfeito d) ( ) Não respondeu 40. Objetivo em relação a criação de ovinos a) ( ) Quer permanecer na atividade b) ( ) Planeja mudar de atividade c) ( ) Não sabe d) ( ) Outros__________________________________________________________________ 60 e) ( ) não respondeu 41. Se pudesse, em que investiria prioritariamente? a) ( ) na criação de bovinos b) ( ) na criação de ovinos c) ( ) na atividade agrícola d) ( ) na compra de terras c) ( ) na melhoria das condições da moradia d) ( ) ajudaria os filhos c) ( ) atividade fora da propriedade d) ( ) não sabe/ não respondeu 42. Gostaria que os filhos seguissem a profissão? a) ( ) Sim b) ( ) Não c) ( ) Não sabe 43. Prevê que algum membro da família continuará a trabalhar na propriedade? a) ( ) Sim b) ( ) Não c) ( ) Não sabe 44. Associativismo O produtor participa de: Qual(is) Exerce alguma Função Qual Sim Não ( ) Cooperativa _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Sindicato _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Associação de Produtores _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Núcleo de Produtores _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Associação Comunitária _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Conselhos Municipais _______________ ( ) ( ) _______________ ( ) Outras entidades _______________ ( ) ( ) _______________ PARTE 5- ESTILO DECISÓRIO NA ATIVIDADE DA OVINOCULTURA Suas decisões são: ( ) Intuição/impulso ( ) Custo/Beneficio ( ) Ambas Se por C/B, como faz esta avaliação?________________________________________ ________________________________________________ Para suas decisões você faz avaliação de risco ( ) Nunca ( ) Ocasionalmente ( ) Sempre Como faz esta avaliação?_____________________________________ _____________________________________________ Suas decisões são tomadas (voltadas) prioritariamente para: ( ) Curto prazo ( ) Médio prazo ( ) Longo prazo Suas decisões são prioritariamente: ( ) Centralizadas ( ) Compartilhadas ( ) Ambas Suas decisões são prioritariamente baseadas: ( ) Na experiência ( ) Em informações ( ) Ambas 61 PARTE 6- FATORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ? GRAU DE IMPORTÂNCIA Fatores Econômicos Nenhuma Pouco importante Importante Muito importante Critérios comercialização Melhores preços no momento Contrato prévio com o comprador Vender quando necessita de dinheiro Vender quando o preço está bom Vender quando necessita liberar o campo Confiança no comprador Pagamento diferenciado pela qualidade Pagamento diferenciado por raça Regularidade dos pagamentos Problemas na comercialização Inadimplência por parte dos compradores Distância com relação ao frigorífico ou açougue Baixo preço pago pelos animais/lã Falta de um padrão de acabamento Falta de alternativa de compradores Concentração do mercado/comprador Falta de um padrão de raça Incerteza na comercialização Fatores sociais Suas decisões são prioritariamente: ( ) Baseadas nas demandas e necessidades emergentes ( ) Baseadas em um planejamento prévio ( ) Ambas Suas decisões são: ( ) Ágeis e rápidas ( ) Reflexivas e demoradas ( ) Ambas Suas decisões são prioritariamente: ( ) Rotineiras ( ) Inovadoras ( ) Ambas 62 Disponibilidade de mão-de-obra especializada para a produção Contratação de mão de obra Sucessão rural Fatores Naturais, Ecológico-biológicos Nenhuma Pouco importante Importante Muito importante Disponibilidade de área Disponibilidade de água As condições de solos As condições das pastagens Doenças no rebanho Adaptação de raças Fatores Tecnológicos Controle e tratamento de doenças Manejo das pastagens Manejo dos animais Tecnologias de gerenciamento econômico-financeiro Fatores Institucionais Disponibilidade de informações e suporte das instituições de pesquisa e universidades Disponibilidade de informações e suporte das instituições de extensão rural e assistência Técnica Presença do poder Público Municipal Presença de sindicatos Presença de associações Crédito pecuário ? custeio Crédito pecuário ? investimento Crédito pecuário ? comercialização Fatores Incerteza / Externalidades Clima -Verão Clima ?Inverno Estradas Políticas públicas para o setor Estradas 63 Custos de insumos agropecuários ANOTAÇÔES: 64 ANEXO A ? IMAGENS Produtor A - Rebanho Texel Fonte: Autor( 2019) Produtor B - Rebanho Ideal e Corriedale 65 Fonte : Autor (2019) Produtor C - Revanho Ideal Fonte : Autor (2019) Produtor D - Rebanho Texel 66 Fonte: Autor 2019